Pai de Santo e suas responsabilidades

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O Pai de Santo, Babalorixa, Cacique, Zelador do Santo ou ainda Dirigente Espiritual, é a figura mais importante dentro de um terreiro.

O médium que se torna Dirigente Espiritual assume  a responsabilidade de zelar por todos os seus filhos na corrente mediúnica, além de desenvolvê-los para a mediunidade, quer seja a de incorporação, a de transporte, a de clarividência, entre outras habilidades que envolvem a evolução espiritual destes seres que buscam como missão de vida o caminho na espiritualidade.

A nomenclatura Pai de Santo é muito utilizada nos terreiros de Matriz Africana e a ele cabe zelar pelos Orixás e seus assentamentos diante da trajetória de cada filho de Santo. Em alguns terreiros (Ylê) o dirigente Espiritual só deve ser chamado de “Pai de Santo” quando já possui em sua família um filho cavalo de Santo.

Ao Dirigente Espiritual, cabe  cuidar da evolução espiritual diante da prática de cada um, orientando quanto as obrigações  de cada filho, preparar os banhos e alinhamentos de defesa, equilíbrio e proteção  e fazendo a consagração dos rituais de batismo, casamento e fúnebre.

Direcionando este Texto para as práticas de UMBANDA, podemos relatar que zelar por uma casa de religião, não é uma tarefa fácil, pois não se resume tão somente ao atendimento Espiritual de cada ser que ali se acolhe, geralmente quando pessoas buscam por acolhimento/atendimento já estão em colapso, ao qual o seguimento material é um dos maiores problemas na visão deste ser, doenças físicas, desorganização financeira e emocional são os principais motivos que levam a procura de “Socorro”.

Por isto o Pai de Santo prepara pais pequenos ou mães pequenas, que o auxiliam na organização, tanto da casa como no desenvolvimento dos filhos.

Para ser chefe de uma casa de Umbanda, é preciso no mínimo  ter sete anos de prática religiosa e para alguns terreiros ter feito o curso de sacerdócio, para se ter clara as obrigações e responsabilidades de se manter uma casa, porém algumas casas disponibilizam doutrinas internas com a finalidade de agregar conhecimento aos médiuns aliando a teoria com a prática. Além dos protocolos sociais, o maior requisito para ser um dirigente Espiritual é ter este chamado como missão terrena, desempenhando com Amor, Fé e Respeito, caso contrário de nada adianta doutrinas, curso, se a mediunidade não estiver presente e forte com um belo propósito, o curso/doutrina por si só mostra como deve ser estruturada uma casa, o que deve ser feito antes e depois dos trabalhos, no mais o importante é o sentir, um bom dirigente não se amarra em protocolos, ele sente a Espiritualidade.

Por isto o Pai de Santo precisa antes de qualquer coisa, ser médium e com uma boa mediunidade, caso contrário não conseguirá conduzir um terreiro de Umbanda.

Como se forma um Pai de Santo?

Os primeiros Pais de Santo de que temos conhecimento, foram herdados, ou seja, nasceram com a mediunidade muito aflorada e incorporavam de forma inconsciente para não atrapalharem os trabalhos.

Não sabiam exatamente o que estava acontecendo e por isto, tinha sempre alguém do lado, cambone (pessoa que auxilia o médium incorporado, com bebidas, fumos, velas ou anotações de trabalhos para os consulentes), para auxiliar na comunicação entre a entidade e os consulentes e entre a entidade e o médium, já que ele não lembrava de nada que havia acontecido.

Este Pai de Santo, ainda deixará como herança a casa para uma outra pessoa, que fora criada na casa e conhece tudo. Hoje não acontece mais assim, hoje os médiuns são conscientes e sabem muito bem o que estão fazendo ou falando e raramente as casas são passadas para outro dirigente.

Por isto precisam estudar, participar de cursos de desenvolvimento, de sacerdócio, para se tornarem um Pai de Santo. As casas organizam também seus calendários de trabalho para atendimentos externos e atendimentos internos, para que possa ter o momento de estudo dos médiuns e sessões de desenvolvimento mediúnico.

No terreiro onde este médium já trabalha, o dirigente já deve ter sido informado pela espiritualidade que ele vai abrir seu próprio terreiro, e quando isto acontece, intensifica os estudos.

O médium vira Pai Pequeno ou Mãe Pequena, e já pode comandar alguns trabalhos com a supervisão do Pai de Santo, o dono da casa, até que sua Egrégora e família religiosa venha se formando e logo este Pai/Mãe Pequeno conduza seu próprio Terreiro.

É fácil ser Pai de Santo e abrir um terreiro?

Não, seria a resposta se levarmos em conta alguns fatores materiais e outros espirituais.

Uma boa parte das pessoas que poderiam abrir um terreiro de Umbanda não o faz porque o custo para mantê-lo é alto, além disto, não temos médiuns tão comprometidos assim.

Poucos são os médiuns que assumem as responsabilidades que a Umbanda nos impõe, que é apenas fazer a caridade pela caridade.

O Pai de Santo para manter um terreiro aberto ele conta com a mensalidade que os filhos da casa pagam, e se não tivermos pessoas comprometidas com a Umbanda, o terreiro em pouco tempo se fecha.

Pois na Umbanda não existe cobrança para atendimentos ou trabalhos, então o que mantem o terreiro aberto são os filhos e pais da casa, e as doações que são feitas pelos frequentadores.

Conclusão

Para ser Pai de Santo, há de se ter muita capacidade, coragem e entendimento.

Humildade para ensinar a todos que o procurar, tempo para se doar ao desenvolvimento dos filhos da casa, olhar de Pai para corrigir os erros e colocar no caminho seus filhos.

Disciplina para não se deixar levar pela arrogância/Ego de achar que sabe tudo e disponibilidade para se doar o tempo todo.

Trabalhar pela caridade e com a caridade.

E hoje em dia não é tão simples assim, já que o Pai de Santo tem sua vida profissional e familiar, ele não vive da Umbanda, e conciliar tudo isto, só se for por missão mesmo.

Mas se ele conseguir, como vários conseguem, teremos mais um oásis para onde poderemos nos refugiar e pedir ajuda sempre que preciso.

Ser Pai de Santo é assumir várias outras pessoas como seus filhos espirituais, cuidar de cada um e do seu desenvolvimento, orientá-los para o melhor.

Apesar de ser uma tarefa difícil, não é impossível, e é até gratificante quando um Pai olha para sua corrente mediúnica e percebe que fez um bom trabalho, que soube doutrinar, conduzir e ensinar.

Que preparou pessoas para seguir adiante também como Pais de Santo se quiserem, afinal esta é uma das missões de um Pai de Santo formar dirigentes que por sua vez formarão outros.

Com responsabilidade, comprometimento e amor no coração, para poder ajudar a todos que aparecerem independente da necessidade ou de suas condições.

Saravá, Axé, Gratidão!

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Aline Ferrão é Espiritualista sacerdote de Umbanda, dirigente do C.E.U Luzes de Aruanda em Gravataí/RS iniciada na cultura de Matriz Africana a qual representa como Yalorixá respeitando as práticas Ancestrais através dos Orixás. Domina a leitura de oráculos como Búzios e Baralho Cigano, direcionando as terapêuticas com o auxílio destas ferramentas. Conhecedora das Ervas e sua utilização no bem-estar de cada ser, assim como estudou e pratica as Técnicas de Reiki Usui, Reiki Xamânico juntamente com Apometria Cristica e Floral de Bach. Facilitadora nas terapias envolvendo a cura da Alma, com a utilização da Medicina Sagrada Ayahuasca. Médium ativa desde a infância, tem como propósito direcionar o seu trabalho dentro da espiritualidade expandindo seu conhecimento para o acolhimento de quem sentir o chamado espiritual. Em sua formação social é graduada em Pedagogia, tendo como sua área de interesse o desenvolvimento Humano.